Wolverine e Harry Potter: contrabandistas criam apelidos para monitorar analistas da Receita Federal na fronteira com o Paraguai
Contrabando de injetáveis para emagrecimento A venda de injetáveis para emagrecer, flagrada pelo g1 no Centro Popular de Compras de Porto Alegre, só é poss...
Contrabando de injetáveis para emagrecimento A venda de injetáveis para emagrecer, flagrada pelo g1 no Centro Popular de Compras de Porto Alegre, só é possível por conta de uma sofisticada logística montada a mais de 900 quilômetros da capital gaúcha. Entre as táticas, está o monitoramento constante da fiscalização por meio de um mecanismo colaborativo: grupos de WhatsApp. O esquema é aplicado especialmente na região da aduana de Foz do Iguaçu (PR), na fronteira com o Paraguai, onde funcionários da Receita Federal realizam controle permanente do que entra no Brasil. 📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp O acesso aos grupos de monitoramento é vendido por intermediários a R$ 100. O g1 teve acesso a um card (veja abaixo) que anuncia o serviço ilegal para “15 grupos exclusivos”, que abrangem desde Foz do Iguaçu até Ponta Porã (MS). Entre as vantagens de fazer parte, estão “avisos em tempo real”. Harry Potter; Anúncio de serviço ilegal para “grupos exclusivos” de estrada; Wolverine Warner Bros; Reprodução; Jay Maidment/ 20th Century Studios A reportagem conseguiu áudios de um dos grupos, em que homens e mulheres descrevem, principalmente, a presença de policiais e analistas da Receita Federal, na aduana localizada na Ponte da Amizade. Como não sabem os nomes dos servidores, os contrabandistas lançam mão de apelidos como "Harry Potter", "Wolverine" e "Cabeça Branca". 20h09 - "Estava bem feio. Tinha uma van parada, Wolverine alí perto da lista. Tinha o 'Cabeça Branca' que estava ali também. Depois ele foi pra lá”, descreveu uma mulher na sexta-feira (24). No dia seguinte, outro contrabandista também disparou um novo alerta: 6h12 - "Passei na esquerda, à esquerda só tem um senhor de cabeça branca, na direita tá o Harry Potter e na moto tem dois”, advertiu. O auditor-fiscal Daniel Messias Linck, chefe da Divisão de Bagagem da Alfândega da Receita Federal em Foz do Iguaçu, afirma que os servidores que atuam na Ponte Internacional da Amizade são monitorados de forma constante por contrabandistas. Segundo ele, a vigilância ocorre de diversas maneiras: “Aqui na Ponte da Amizade nós somos permanentemente monitorados. Existem olheiros que circulam de moto, pessoas posicionadas em prédios próximos com binóculos. Somos observados o tempo todo”, afirma Linck. De acordo com o auditor-fiscal, o acompanhamento não se limita ao número de servidores em operação, mas envolve um mapeamento detalhado da atuação de cada fiscal. “Eles sabem onde cada servidor está e o que cada um está fazendo. Temos servidores especialistas em encontrar fundos falsos em veículos, outros em motos, outros em identificar comportamentos suspeitos por meio da linguagem não verbal. Os contrabandistas conhecem essas características”, explica Daniel Messias Linck. Por isso, conforme o chefe da Divisão de Bagagem da Alfândega, a informação sobre a posição dos agentes se torna estratégica para as organizações criminosas. “Para eles, é fundamental saber onde cada servidor está. Isso nos obriga a adotar uma dinâmica diferente”, ressalta. Como resposta a esse monitoramento, a Receita Federal promove mudanças constantes na disposição das equipes. “Nós não podemos ficar sempre no mesmo lugar. Precisamos mudar de posição o tempo todo para criar o risco e a imprevisibilidade, de forma que a gente possa surpreender os contrabandistas”, conclui Linck. Para o presidente do IDESF - Instituto de Desenvolvimento Econômico e Social de Fronteiras Luciano Stremel Barros, essa prática também ocorre com outros tipos de crimes. “É importante ressaltar que esses grupos de WhatsApp funcionam como ferramentas amplamente adotadas em diversos crimes transfronteiriços, incluindo contrabando, tráfico de drogas, de armas e roubo de veículos. Essa prática revela uma interconexão entre diferentes modalidades criminosas, ampliando a atuação das facções e a complexidade do problema”, afirma Luciano. Venda ilegal de canetas emagrecedoras no Centro de Porto Alegre Ampolas de Tirzepatida proibidas pela Anvisa são vendidas livremente no POP Center, no Centro de Porto Alegre. Durante um dia de apuração, a reportagem da RBS TV encontrou oferta aberta do produto, detalhamento de uso, promessa de entrega imediata e valores que chegam a R$ 1,69 mil. Veja vídeo abaixo. Venda ilegal de canetas emagrecedoras é flagrada no Centro de Porto Alegre VÍDEOS: Tudo sobre o RS